Movimento Pessoas à Frente e Sociedade Brasileira de Administração Pública promovem debate sobre os principais desafios   da gestão pública na próxima década

Movimento Pessoas à Frente e Sociedade Brasileira de Administração Pública promovem debate sobre os principais desafios da gestão pública na próxima década

Como produzir e compartilhar conhecimento sobre os desafios da gestão pública na próxima década e, ao mesmo tempo, desenvolver uma agenda de engajamento para temas voltados para o setor público. Este foi o foco da conferência da professora Anna Petherick, da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford, na abertura do VIII Encontro Brasileiro de Administração Pública (EBAP) de 2021. Realizada na quarta-feira, 3 de novembro, a palestra inaugural Desafios da Administração Pública na próxima década: diagnósticos e análises, da acadêmica de Oxford, abriu o evento organizado pela Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP) e contou com o apoio do Movimento Pessoas à Frente.

Falando para cerca de 200 pessoas conectadas virtualmente, Anna Petherick apresentou a nova fase do programa da Fundação Lemann em Oxford, do qual ela é diretora, que será lançado em novembro. A partir de pesquisas comparativas entre países sobre a formulação de políticas públicas e o envolvimento dos gestores públicos, a ideia é gerar dados que ajudem a identificar desafios e aproveitar as oportunidades que surgirão no futuro próximo. “Nosso objetivo é melhorar o setor público no Brasil o máximo que pudermos. Por termos um programa em uma escola de governo global isso significa usar a perspectiva comparada e retornar questões sobre o que o Brasil pode aprender de outros países e o que outros países podem aprender da experiência brasileira”, afirmou a pesquisadora.  

O projeto estará ancorado em três grandes temas que, na visão da instituição, serão focos da administração pública para muitos países, incluindo o Brasil, nos próximos anos: o retorno das atividades após a Covid-19, como ampliar a confiança nas instituições públicas em conjunto com o combate à corrupção, e identificar caminhos que superem a polarização política em favor da boa prestação de serviços públicos. As respostas dos governos ao enfrentamento da pandemia já vem sendo objeto de investigação da pesquisadora de Oxford desde janeiro de 2020. Ela integra o projeto Oxford COVID-19 Government Response Tracker (OxCGRT), que analisa como governos nacionais e subnacionais em todo o mundo tratam o tema do combate à doença.

 

A organização de dados comparativos permite análises mais precisas e ajuda na formulação de políticas ajustadas à realidade, destacou a pesquisadora. Ela citou, com base em dados anteriores, que existe um diagnóstico de que o Brasil tem um dos maiores gastos percentuais com folha de pagamentos no setor público em relação ao orçamento público (36%) e em relação ao PIB (13%). A média na América Latina e Caribe, por exemplo, é 30% e 8%, respectivamente. No entanto, quando são focadas áreas essenciais para a população, os percentuais de despesas com remuneração dos servidores públicos no Brasil ficam em 8% (educação) e 4% (saúde) contra uma média de 31% (educação) e 29% (saúde) na América Latina e Caribe. 

Participaram da mesa de abertura do VIII EBAP, neste dia 3 de novembro, Amanda Moreira, representando a secretaria executiva do Movimento Pessoas à Frente; Leonardo Secchi – Presidente da SBAP; Francisco Schertel do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa); Maria Isabel Araújo Rodrigues da ANEPCP (Associação Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas); Edgilson Tavares de Araújo da Rede de Pesquisadores em Gestão Social; Armindo Teodósio da Anpad (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração) e Mayara Riscado da Fenecap (Federação Nacional dos Estudantes do Campo de Públicas).

Clique aqui para conferir em detalhes a palestra inaugural do EBAP 2021.