Encontro do Movimento debate gestão de pessoas no serviço público para a  construção de um melhor Estado

Encontro do Movimento debate gestão de pessoas no serviço público para a construção de um melhor Estado

“Pessoas em Movimento: Diálogos para um Melhor Estado.” Este é o tema do II Encontro do Movimento Pessoas à Frente, que começou nesta quarta-feira (15) e vai até sexta-feira (17) com palestras e debates de especialistas nacionais e estrangeiros sobre como impactar pessoas no setor público e, consequentemente,  melhorar a qualidade da gestão e dos serviços prestados à população.

O encontro foi aberto por dois dos três patrocinadores do Movimento: José Roberto Marinho, do Instituto Humanize; e Guilherme Coelho, do Republica.org. Outro patrocinador é Jorge Paulo Lemann, da Fundação Lemann, que falará no encerramento do encontro, na sexta-feira.  Tanto José Roberto quanto Guilherme enfatizaram a necessidade de construção de um estado capaz de entregar melhores serviços para toda a população.

“Temos que ter um trabalho de equipe constante e de qualidade para evitar que um mau gestor ao sentar na cadeira destrua tudo. Se ele tiver uma boa equipe, o trabalho vai continuar. Essa é a principal mensagem que gostaria de deixar para melhorar a qualidade das pessoas na gestão pública”, disse José Roberto. “Não existe transformação social no Brasil sem transformação de governos. É preciso dar oportunidade para melhorar a organização e qualificação das pessoas que trabalham em governos”, afirmou Guilherme.

Na primeira parte do encontro, os trabalhos foram conduzidos por Glaucia Macedo, do Instituto Humanize, e Weber Sutti, da Fundação Lemann, ambos integrantes do Movimento Pessoas à Frente. Em sua fala, Glaucia argumentou que a gestão de pessoas no serviço público é um dos temas mais urgentes que precisam ser discutidos para o futuro do nosso país.

Weber apresentou em uma linha do tempo a evolução do grupo, destacando seu princípio: “Acreditamos e sabemos que um melhor Estado é possível e para isso precisamos reconhecer e valorizar o trabalho de servidores e servidoras públicas do nosso país”.

Papel das Instituições

No painel “Sem tempo a perder: debate sobre a urgência de transformar o Brasil e o papel das instituições” participaram representantes dos Três Poderes – os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, além do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do governador do Ceará, Camilo Santana – que defenderam o diálogo, o respeito institucional e as políticas públicas de Estado como caminhos para a modernização e a melhoria do serviço público brasileiro.

Tendo o economista e ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, como moderador, o painel com as autoridades foi aberto pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Ele destacou a ajuda do Legislativo nesse processo ao seguir a lógica de dar ao Estado o tamanho necessário e correto, com algumas autonomias. “Um exemplo prático que dou é o distanciamento dessas duas instituições, que obviamente se complementam: o Estado que é permanente e o governo que é temporário”, afirmou o senador.

O governador do Ceará, Camilo Santana, defendeu que é preciso valorizar o capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham no serviço público. “Essa pandemia mostrou a importância do SUS, principalmente para estados como o Ceará, em que 82% da população utiliza os serviços do Sistema Único de Saúde”, afirmou, ressaltando ainda os pilares dessa política que são o diálogo, o planejamento, a transparência nas seleções de pessoas para o serviço público e o equilíbrio fiscal. Ele detalhou, com exemplos, os avanços alcançados no seu estado a partir da adoção de parâmetros mais técnicos, além dos políticos, para contratações de servidores.

Nessa linha, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que é possível sim “o governo fazer mais, fazer melhor e com menos recursos”. Na análise do ministro, o Brasil vive uma transformação e uma evolução institucional que já vem ocorrendo há alguns anos. “Mas que ainda está incompleta”, afirmou, destacando, a responsabilidade fiscal, a administração de orçamentos e o respeito ao federalismo como pontos chave para continuar as mudanças e a melhoria da gestão dos recursos públicos.

No campo da Justiça brasileira, o presidente do STF, ministro Luiz Fux, também afirmou que o Judiciário pode “fazer melhor”. Ele explicou que a grande queixa da sociedade em relação aos serviços públicos prestados pelo Poder é a morosidade. “Temos a morosidade decorrente do excesso de formalidade e da litigiosidade exacerbada”, afirmou. “A queixa da população é correta, sempre fui ouvinte do povo”, acrescentou, em seguida.